um beijo para gabriela

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“EU EU EU, EU SÓ DOU O QUE É MEU”: Prostitutas de Niterói ocupam ruas para denunciar invasão da polícia a salas de batalha e detenções ilegais

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bangu

[Re-post da matéria publicada no jornal Beijo da Rua no dia 19 de abril]

Soraya Silveira Simões

Fotos de Laura Murray

Foto niteroi queremos trabalhar

19/4/2014 

Quinze de abril de 2014: Niterói, enfim, inaugura uma nova era! As prostitutas que trabalham no edifício nº 327, conhecido como “prédio da Caixa (por estar ao lado de imóvel da Caixa Econômica Federal)”, na Avenida Amaral Peixoto, principal artéria do Centro comercial da antiga capital do Estado do Rio, deram um show de charme, beleza e cidadania ao saírem pelas ruas e avenidas da região anunciando sua profissão e, para os desavisados, esclarecendo sua legalidade.

Levantando faixas onde se lia “prostituição não é crime”, “queremos trabalhar”, “CBO 5298-5 Lei 8212/91” (a ocupação registrada no Ministério do Trabalho e a lei da seguridade social) e “não queremos ir para Bangu”, elas denunciaram a ação criminosa da polícia, que, dias antes, invadiu as salas onde atendiam seus clientes. O saldo dessa ação inesperada foi a retenção arbitrária de 11 prostitutas, que passaram a noite na delegacia de Polícia até serem levadas, no dia seguinte, para o presídio de Bangu. 

A resposta a tamanha truculência e ilegalidade foi o grito promovido nas ruas e, com ele, o esclarecimento da população sobre a legalidade do trabalho sexual. Assumidas, maquiadas e bem humoradas, cerca de 100 prostitutas pararam o trânsito da Avenida Amaral Peixoto e da Rua da Conceição, rumo à 76 DP. 

No caminho, foram arrebanhando simpatizantes: lojistas, transeuntes, passageiros de ônibus, executivos, ciclistas, homens e mulheres de todas as idades aplaudiram, fotografaram (até guardas municipais sacaram celulares para registrar o feito!). Muitos caminharam com a manifestação e outros fizeram questão de manifestar seu apoio ao movimento das prostitutas em prol do seu direito de trabalhar com segurança e respeito.

Tão seguidora do seu ritmo, a cidade teve a chance de parar para apreciar a exuberância inigualável do desejo manifesto de existir. Nenhuma alma ficou indiferente.

camara“Polícia, você é meu cliente”

Diante da DP, as prostitutas convocaram o delegado, que não apareceu. Sem se fazerem de rogadas, aproveitaram para mandar uma provocativa cantada: “Polícia, me prende! Você é meu cliente!”. Ou “Policial, vem com a gente! Você é meu cliente!”

Manifestantes de outros movimentos e uma vereadora da cidade aproveitaram o momento para também falar ao microfone. Os apoios foram manifestados diante da delegacia e o cortejo prosseguiu para a Câmara dos Vereadores, onde permaneceu, com suas faixas e palavras de ordem, tomando a escadaria.

Tudo isso aconteceu debaixo de uma fina garoa, que não foi suficiente para borrar a maquiagem das manifestantes nem apagar o entusiasmo dos que puderam ver pra crer.

De volta ao já lendário prédio 327 da Amaral Peixoto – “vem pra Caixa você também!”, cantavam as prostitutas -, uma reunião histórica realizada no hall lançava as bases de um ativismo que promete manter a Cidade Sorriso animada. 

Indianara, prostituta militante, parceira de Davida, Daspu e membro do Observatório da Prostituição-UFRJ, falou sobre os direitos trabalhistas das prostitutas e foi muito aplaudida. Em seguida, a bela Gabriela, batalhante do 327 que havia sido levada para o presídio de Bangu, manifestou sua imensa alegria com a mobilização das colegas e o apoio recebido pelos simpatizantes ativistas desse movimento. 

Antes de subirem todos, prostitutas e clientes, para as salas do 327, uma confraternização e um lanche foi servido com suco e cachorro-quente, no corredor ao lado dos elevadores, para saciar os incansáveis manifestantes. 

Mais aplausos, sorrisos, olhares brilhantes trocados e, com eles, a nítida constatação de que, definitivamente, somos muitas e muitos pela putaria de verdade!

Eu eu eu, eu só dou o que é meu!

Chupo pau / chupo boceta / se for pro inferno chupo até o do capeta!

Seu delegado, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!

U u u, eu só quero dar meu cu!

Tira a mão de mim! Deixa eu trabalhar! Amanhã é um novo dia e eu tenho conta pra pagar!

Prostituição não é crime! Prostituição não é crime!

não é crime

Em Protesto da Censura da Pagina DASPU Real

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daspu photos

Por afirmar, mais uma vez, que corpos com e sem roupa na passarela, na cama, na pista, no trabalho, no palco, seja onde for, são políticas, DASPU provocou uma reação de uma sociedade cada vez mais conservadora e reacionária.

A pagina oficial da grife, DASPU Real, foi retirada do Face depois que uma foto do desfile performance no qual uma modelo aparece nua com a frase, “turismo sexual é legal” escrita no corpo foi denunciada e julgada pelo Face como violadora por não “seguir os Padrões da comunidade do Facebook em relação à nudez”. é notavel que em vez de tirar a foto denunciada, conforme a politica “normal” da rede social, a pagina da DASPU foi desativada num gesto extremo de censura. Conforme a matéria publicada ontem no Beijo da Rua, o desfile abriu a exposição, “DASPU em Exibição” –  um projeto que reafirma a luta estética e política da Gabriela Leite, realizado em parceria entre DASPU e a artista plástica Paula Vila Nova.

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Foto do performance denunciada no Facebook.

Neste blog, com Gabi sempre presente aqui como em todo lugar, nenhuma imagem será censurada – pelo contrario, serão comemoradas e compartilhadas e pedimos que vocês leitoras desse blog façam o mesmo com as fotos e palavras de protesto das ativistas e artistas envolvidas no projeto.
Manifestos:
“Toda nudez será censurada qualificada normatizada regulada e castigada. Página da Daspu Real foi desativada do facebook por ter imagens da performance DASPU (marca protesto criada por Gabriela Leite) que foi realizada em homenagem a Gabriela Leite. A política da censura está por toda a parte se manifestando contra a liberdade e o desejo de pensar e viver de outro modo. Com oavanço da censura e outras formas arbitrária de violência o que se pretende é produzir uma multidão de “vidas invisíveis” cujo estatuto legal e politico se encontra suspendido. E assim o poder interage com as putas, os usuários de drogas, com os manifestantes.. Os limites do que pode aparecer, ser dito e/ou ser mostrado numa performance de corpos em protesto é rapidamente denunciado, removido, violado. O que se pretende é excluir qualquer possibilidade de cidadania, de práticas de ocupação pública, de corpos que resistem, desejos que se manifestam visceralmente em defesa de um espaço legítimo de protesto e debate público, livre de intimidação, agressão ou qualquer outra forma de violência presente na nossa sociedade hoje. Daspu é em si protesto, resistência, ação política. Nos denunciar não nos enfraquece, pelo contrário, ficamos ainda mais fortalecidos para agir. Foi assim que surgimos há 9 anos, protestando contra o esgotamento de espaços legítimos para as nossas batalhas, a vigilância e normatização dos nossos corpos, e assim vamos continuar. É um trabalho de resistência que usa as forças contrárias a seu favor e a passarela como campo de batalha das lutas políticas das prostitutas!” – Elaine Bortolanza, Dasputinha, Vice-Presidente Davida

“Acabo de saber que a página de perfil da Daspu Real foi tirada do ar devido as fotos da performance que aconteceu durante o Desfile em homenagem a Gabriela Leite. Me sinto ultrajada, desrespeitada, acoada, presa… são esses os “novos tempos”? Tempos onde um artista não pode expressar sua arte porque ela contem nudez? Desde quando a nudez é pornografia? Ahhh claro, não é carnaval, não é BBB, não é novela das 8….. É ARTE!!! PQP é ARTE!!! Que pouca vergonha, pessoas peladas em prol da ARTE.

Isso é CENSURA, CENSURA, CENSURA…….

E agora falo diretamente aos moralistas de plantão, que com certeza se sentiram afetados com tanta beleza, naturalidade, amor, atitude e ARTE. De minha parte, CAGUEI PARA VOCÊS, não é por isso que vou deixar de gritar aos quatro ventos, aos quatro cantos aquilo que sinto, que acredito e aquilo que sou.  um bjO pra vcs…”Paula Villa Nova Artista Multimídia criadora da coleção de Arte Vestível em homenagem a Gabriela Leite e criadora da performance CENSURADA pelo FACEBOOK.

 

“Seguimos firmes. nós é que fazemos história, não esses passarão, seguimos com as putas, a liberdade da expressão e da arte, ficando nus, fazendo amor e sexo, brincando e desbundando, marcando a pólis com política, erotismo e beleza e poesia, com nossos corpos transbordando de afeto e gozo, iremos a qualquer lugar, mesmo aqui vamos insistir e perturbar. Gabriela, presente!” – Flavio Lenz, Jornalista, Editor do jornal Beijo da Rua, Co-fundador da DASPU e Secretario Executivo da Davida

“O primeiro ensaio de todos nós é “fazer um nu”. Somos todos fazedores de nus, todos os dias, em todos os carnavais, em casas, praias, maternidades, ruas, igrejas. Com vontades variadas, necessidades variadas. Sós ou acompanhados. Nús, vários e distintos nus vestidos e revestidos pelos olhos de quem tira e de quem põe. Bref, pelos olhos de quem vê. Veja só. Reveja. Inveja? Em terra de Facebook, quem tem olho é…? Ali, um termo associa, sem escala, nudez e pornografia e investe de poderes o anônimo voyeur que clica e denuncia o que lhe parece ilegal, imoral ou… calórico. No caso, o prazer dos outros. O prazer de ser e fazer política e festa com vontade, com tesão e com coragem, sem máscaras e véus, de cara pros flashs (e eram muitos!) e outras caras, outras gentes, outros sorrisos, muitos gozos. Nesse episódio de castração e de censura da alegria de um Poder Ser, se instaurou a covardia, esse gozo do hipócrita. Eis a grande obscenidade.” – Soraya Simões, Presidente Davida, Coordenadora do Observatorio da Prostituição na UFRJ

Conferem e compartilham aqui as imagens do desfile da fotografa Flavia Viana:

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Monica Jones diz “saiam com força em 11 de abril” (Entrevista com Um Beijo para Gabriela)

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[Tradução de entrevista publicada no blog em inglês no dia 17/03

Monica Jones é uma defensora dos direitos humanos no Arizona que foi injustamente presa por uma operação policial de violação de direitos conhecida como Projeto ROSE. Monica sempre lutou pelos direitos de sua comunidade, pressionando por banheiros de gênero neutro no Phoenix College e opondo-se diante do Capitólio de Phoenix ao projeto de lei SB 1062, que permite às empresas discriminar grupos, incluindo as pessoas LGBT, por motivos religiosos. Ontem, Monica foi ao tribunal para seu julgamento apoiada por organizações em Phoenix, nos Estados Unidos e em muitos outros países, e por ativistas nas Nações Unidas. Aqui é a sua primeira entrevista desde que seu julgamento foi inesperadamente adiado. Nesta entrevista exclusiva, feita por Penelope Saunders para “Um Beijo para Gabriela”, Mônica fala sobre sua campanha em curso e sobre o que aprendeu ontem na sala 706 do Tribunal Municipal de Phoenix.

Um beijo para Gabriela: No dia 14 de março de 2014, o processo judicial foi adiado. Você pode nos dizer o que aconteceu?

Monica Jones: O que aconteceu foi que muitas pessoas saíram em apoio à campanha, mas o próprio julgamento foi adiado porque o meu advogado apresentou uma moção de defesa para me dar motivos para uma apelação. Ontem, os promotores disseram que eles precisavam de 14 dias para analisar o documento. O documento é um desafio constitucional à liberdade de expressão em relação à seção no Código da cidade de Phoenix que se refere a “manifestação de uma intenção de cometer ou solicitar um ato de prostituição”. Estou muito, muito feliz que isso foi arquivado porque se eu deveria ser considerada culpada e precisamos apresentar recurso para esse caso, o desafio constitucional é uma validação dos meus direitos como mulher transexual e defensora dos direitos humanos que foi presa sob uma lei que permite à polícia revistar as pessoas de cor, mulheres transexuais e profissionais do sexo. A ACLU de Phoenix está ajudando a minha defesa sobre essas questões. Como uma mulher transexual, a forma como me visto e o fato de que eu estou no espaço público não deve ser motivo para o assédio e a revista.

 Um Beijo: O que vem por aí na sua campanha?

Monica: Quando eu ouvi pela primeira vez ontem que o julgamento foi adiado até 11 de abril, eu estava meio chateada, pensando no dinheiro que gasto em trabalho de preparação e o dinheiro que gasto me preparando para este caso! Então, eu percebi que muitas pessoas tinham saído em apoio e que eles gostariam de apoiar novamente. Então, eu acredito que o dobro de pessoas vai sair para me apoiar no dia 11 de abril. Teremos que fazer mais alguma arrecadação para que eu possa ter a minha equipe comigo, incluindo o meu amigo e documentarista PJ Starr. Precisamos de mais camisetas e muito mais.

Eu acho que os promotores estão um pouco nervosos por causa do número de pessoas que estavam na sala do tribunal ontem para verificar o que estava acontecendo com o caso e observar. Trabalhadores da corte estavam se aproximando da multidão de apoiadores e dizendo que nunca tinham visto nada assim. Todo mundo queria comprar uma camisa, todo o edifício do tribunal era um uma “falatório” sobre o que estava acontecendo no “julgamento Monica Jones”. Então , talvez, os promotores estão tentando atrasar, porque eles estão preocupados com tudo que vem junto nessa batalha por direitos. O promotor está sentindo muita pressão com a ACLU e outros defensores legais envolvidos.

Isso é algo diferente para o sistema jurídico em Phoenix. Em um caso como este, relativo à acusação de “manifestação” ou qualquer outra acusação relacionada com a prostituição, do ponto de vista da promotoria supõe-se ser um caso simples. O que normalmente acontece é que há o réu, um defensor público, o promotor e o juiz, e o réu  entra rapidamente, assina alguns documentos e declara-se culpado porque não há opção real para a justiça. Então, as pessoas são forçadas através do sistema, sem ninguém para ajudá-las. É um pequeno segredo sujo do que está acontecendo com muitas pessoas sob essas leis e meu caso em curso está trazendo à luz essa injustiça.

Então, a coisa mais importante que eu tenho a dizer a toda a gente que quer saber como eu me sinto depois do meu julgamento ser adiado é agradecer e dizer que vamos continuar . Agradeço-lhes muito por tudo o que fizemos até agora. E vamos continuar com a mesma quantidade de energia, eles querem que nosso ativismo morra para que eles possam fazer o que quiserem. Se sairmos com força em 11 de abril, vamos mostrar-lhes que não somos um movimento que depois de um tempo vai morrer. Esta é a minha mensagem para todos que estão lendo isso. Queremos manter esse movimento em torno do caso, compartilhe isso com seus amigos e não desista!

Um beijo: Como se sente pessoalmente com essa campanha em torno do seu caso?  Deve ser muita pressão estar aos olhos do público dessa maneira.

Monica: Eu tenho feito o que eu preciso fazer para me manter forte e estar preparada. Mas é difícil de falar com a mídia como tenho falado, eu sinto que eu preciso de um publicitário para ajudar a me preparar para tudo isso. Antes do próximo 11 de abril, eu vou receber algum apoio adicional a este respeito, mas eu ainda preciso de mais apoio.

Dito isto, algo que tem sido muito importante para me apoiar foi o número de pessoas saindo e me apoiando. Ontem, a sala do tribunal estava cheia de apoiadores e pessoas da ACLU. No início, estávamos quietos e um pouco tensos enquanto esperávamos sem a presença de promotores, juiz e funcionários do tribunal. Depois de um tempo, começamos a relaxar. Estávamos fazendo “selfies” no tribunal. Foi uma grande atmosfera, todos nós começamos a nos comunicar, a união de todos foi muito mais do que apenas o meu caso.

Um beijo: O que significa a trajetória de seu caso significa para o futuro do Projeto ROSE?

Monica: O que é mais importante aqui é que as práticas de policiamento que o Projeto ROSE estabelece estão agora no centro das atenções. Uma atenção internacional está criada. Mas qualquer que seja o futuro do Projeto ROSE, meu ativismo não termina com o fim dele. Acabei de ouvir que a polícia prendeu na noite passada mais de 40 pessoas em Phoenix por prostituição. Eu não tenho todos os detalhes ainda, mas essas prisões em curso mostram que temos muito mais a fazer para acabar com a criminalização e o encarceramento de pessoas, devido ao policiamento de crimes sem vítimas. Eu não vou desistir até que tudo isso acabe.

Monica Jones sits with supporters in court room, March 2014. Photo by PJ Starr.

Monica Jones senta com apoiadores na sala do tribunal, março de 2014. Foto por PJ Starr.

Leia mais:

http://www.thenation.com/blog/178867/problem-anti-trafficking-dragnets

http://www.bestpracticespolicy.org/2014/03/14/breaking-monica-jones-trial-postponed-due-to-constitutional-challenge/

 

Muita Boa!

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daspu globo

Daspu volta à cena com desfile de lançamento de peças em homenagem à sua fundadora, Gabriela Leite!

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Convite DASPU em exibição

Tributo às Mulheres Ativistas

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Como um tributo para todas as mulheres ativistas neste Dia Internacional da Mulher, lançamos mais um vídeo das extras do documentário da mulher que mudou o ativismo no Brasil.  Aqui Gabriela fala sobre o que é ser uma prostituta ativista e a luta contra o estigma mesmo no campo do ativismo.


YouTube

Viva a clareza, coragem, inteligência, carisma, elegância e força da Gabriela!

 

 

Nota enviada ao Globo da DAVIDA em resposta ao comentario da Dilma sobre turismo sexual

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Segue aqui na integra a nota enviada pela DAVIDA ao Globo:

A presidente Dilma Roussef reafirmou em seu twitter a importante determinação do governo brasileiro de atuar na “prevenção da exploração sexual de crianças e adolescentes no#Carnaval e na#CopaDasCopas”. Mas ao escrever também que o Brasil “está pronto para combater o turismo sexual” contribui para uma confusão, visto que explorar sexualmente crianças e adolescentes é crime, seja por brasileiro ou estrangeiro, enquanto “turismo sexual” sequer existe na legislação brasileira. Mulheres ou homens adultos que oferecem serviços sexuais podem atender brasileiros ou estrangeiros, sem que isso constitua qualquer tipo de crime, de uma parte ou de outra. Neste contexto de megaeventos em que parece se disseminar o pânico moral, é da mesma forma importante que sejam preservadas as liberdades e os direitos individuais de todos os segmentos da sociedade, inclusive de profissionais do sexo adultos.

Davida – Prostituição, Direitos Civis, Saúde

25/2/2014

Nota publicada no blog do jornal:

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/

Vestindo Daspu em Montreal

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[Publicado no dia 17/12 no blog em inglês]

Ao nos aproximarmos do Dia Internacional pelo Fim da Violência Contra Trabalhadores Sexuais -nosso primeiro 17 de dezembro sem Gabriela -, voltamos nossos pensamentos para como ela inspirou ativistas em todo o mundo a lutar pelos direitos dos trabalhadores do sexo. Jenn Clamen, uma ativista que chama de casa tanto a organização de direitos dos trabalhadores do sexo Stella quanto a comunidade dos direitos dos trabalhadores do sexo em Montreal (Canadá), tem produzido reflexões sobre as conexões entre a obra de Gabriela, Davida (organização carioca fundada por Gabriela, em 1992), e o ativismo canadense. Jenn tem participado ativamente no movimento pelos direitos dos profissionais do sexo desde 2001, tanto em nível local, no Canadá, quanto em nível global. Ao pensar sobre como Gabriela influenciou seu trabalho, Jenn escreve: “Eu tive o prazer e o privilégio de ser treinada por alguns dos mais fervorosos e dedicados ativistas profissionais do sexo e continuo a aprender diariamente de membros mais novos e mais velhos deste movimento”.

Um beijo para Gabriela: Como o trabalho de Gabriela esURB_Dasputá conectado ao ativismo do trabalho sexual no Canadá?

Jenn Clamen: Em 2007, tivemos uma grande oportunidade na Stella de conectarmo-nos com a Davida de uma forma criativa e significativa. Urbania – uma revista artsy em Québec – convidou Stella para uma sessão de fotos para destacar tanto o nosso trabalho quanto o trabalho dos nossos colegas no Brasil por meio da linha de roupas Daspu, criada pela Davida em 2005. Membros da equipe de Stella foram enfeitados com cabelo, maquiagem e, claro, as roupas da Daspu. Era uma chance de demonstrar solidariedade com os trabalhadores do sexo no Brasil e em todas as regiões e, simultaneamente, educar o público de Québec sobre restrições de financiamento, realidades dos trabalhadores do sexo e sobre as maneiras criativas com que os trabalhadores arrecadam dinheiro para manter vivas as organizações. A sessão de fotos foi um exercício de empoderamento em muitos aspectos, especialmente porque os trabalhadores do sexo vestidos na linha de moda Daspu foram capazes de ocupar um espaço tão mainstream.

Um beijo: Você tem lembranças sobre o encontro com Gabriela e sobre a descoberta do trabalho dela?

Jenn : Conheci Gabriela pessoalmente na Conferência Internacional de Aids , em Toronto , em 2006, e tive o privilégio de trabalhar mais de perto com ela no primeiro quadro oficial da NSWP quando foi incorporada em 2008. Gabriela , para mim, era maior do que a vida. Um pequeno pacote com tanta força, poder e elegância. Ela era carinhosamente conhecida por ser incisiva e colocar “a boca no trombone”. Assim, eu estou relacionada a isso um pouco. Eu sei que não estou sozinha nisso. Gabriela era alguém que eu poderia falar sem palavras, sem linguagem – o que na maioria das vezes era necessário já que eu não falo uma palavra de português. Fiquei realmente surpresa com o quanto de entusiasmo e paixão fomos capazes de compartilhar em cadências e gestos com as mãos, enquanto fumávamos e bebíamos até altas horas da manhã. Gabriela me ensinou a não ter medo das minhas crenças e minhas convicções, mesmo que isso significasse que outras pessoas pudessem ser desafiadas. Fiquei particularmente comovida com a dedicação ao trabalho com o governo brasileiro e o retorno dos fundos da USAID. Eu pensei que era corajoso, para dizer o mínimo. Todos nós reconhecemos que os trabalhadores do sexo em diferentes partes do mundo têm diferentes privilégios, e que alguns estão em posições onde esses fundos são o seu único salva-vidas. Apesar disso, sou grata por pessoas como Gabriela, que foi capaz de estabelecer um padrão e firmar suas convicções.

E em uma nota mais leve, Gabriela inspirou o meu futuro coração de 60 anos a nunca aposentar meus calcanhares e ostentar minha jaqueta de couro com orgulho.

Um beijo: Em que você acha que ela contribuiu e por que o trabalho dela é importante para seguir em frente?

Jenn: O compromisso inabalável de Gabriela com os direitos não poderia ser mais relevante esta semana, quando a Suprema Corte do Canadá pode derrubar leis contra a prostituição. Gabriela inspira as pessoas a manter suas convicções. Todos nós podemos aprender com as formas criativas com que ela e a Davida responderam à falta de financiamento e ao retorno dos fundos da USAID. As decisões difíceis que temos de tomar às vezes como coletivos também podem ter solução criativa e empoderadora. A criação da Daspu foi brilhante em muitos desses níveis. Este tipo de criatividade, resiliência e dedicação são homenagens a sua vida e suas qualidades, que ela inspirou em muitos de nós e que permanecem.

Um Beijão para Gabriela para fechar o 2013!

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Como presente de final de ano, compartilhamos o maior beijo enviado para Gabriela até hoje! Foi enviado por mais de 100 mulheres após de terem visto o filme na Sub-secretaria de Políticas para as Mulheres no Rio de Janeiro – CEDIM, que exibiu o filme nos dias 02 e 06 de dezembro. Adoramos, e achamos a melhor forma de desejar a todxs boas festas e um 2014 cheio de beijos, luz, amor, alegria e sucesso nas batalhas da vida!


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Dossiê Gabriela Leite

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gabriela

 

Imagem: ABIA

[Repostando essa dossie maravilhosa publicada pelo Sexuality Policy Watch: http://www.sxpolitics.org/pt/?p=3670]

A morte de Gabriela Leite, no dia 10 de outubro, foi uma grande perda para a luta pelos direitos das prostitutas e pelos direitos sexuais no Brasil. Na sua trajetória de vida, ela encarnou a luta pela liberdade, não discriminação e o direito ao prazer e à felicidade.

Em homenagem a Gabriela, o SPW reuniu artigos e homenagens publicados por organizações da sociedade civil, movimentos sociais, instituições de governo e imprensa. Separamos esse material em três categorias: artigos e notas analíticas, que dedicam atenção ao papel de Gabriela na cena política; notas de pesar e condolência, registradas no mundo e no Brasil; e, por fim, a repercussão de sua partida na imprensa.

Artigos e notas analíticas

“Antes sem-vergonha do que vítima” – CLAM/IMS/UERJ

Mundo ficou mais careta sem Gabriela, uma senhora puta – Estado de São Paulo

Gabriela Leite: contra preconceitos, a força da ironia – Outras palavras

Os legados de Norma Benguell e Gabriela Leite – Viomundo.com.br

Sobre putas e palavras mágicas – Blogueiras feministas

Gabriela Leite e a “liberdade de pensar e se comportar diferente” – Rede Brasil Atual

Se fue uma hija, madre, abuela y puta – Correspondesalesclave

30 ANOS DO PROGRAMA DE DST/AIDS DE SP: Gabriela Leite é homenageada na mesa que revelou dados de pesquisas sobre HIV em gays e presidiárias – Agência de Notícias da Aids

Inspirational brazilian activist Gabriela Leite dies – NWSP

Condolências

Breve adeus a Gabriela Leite – ABIA

Cebes presta últimas homenagens à líder feminista Gabriela Silva Leite – CEBES

Farewell to Gabriela Leite – A kiss for Gabriela


O que é liberdade para Gabriela Leite – Rede Democrática


STRASS – Syndicat du Travail Sexuel


O adeus a Gabriela Leite, a mulher que trouxe cidadania e respeito às prostitutas do Brasil – Rede VIH


É ilegal ser normal – Antra


Brazil’s #1 Puta – Museum of sex


Morre uma das grandes lideranças na luta contra a Aids – Depto DST

Adeus, Gabriela Leite – Brasil em pauta

Notícias

Morre Gabriela Leite, fundadora da Daspu e defensora das prostitutas – Revista Fórum

Morre Gabriela Leite, a criadora da Daspu – O Globo

Morre Gabriela Leite, fundadora da Daspu – Último Segundo

– See more at: http://www.sxpolitics.org/pt/?p=3670#sthash.TBtTLKEk.dpuf