um beijo para gabriela

Notas de repudio escritas por ONGs de prostitutas sobre a censura da campanha, “Sem Vergonha de Usar Camisinha”

Nota de Repudio da Associação Pernambucana das Profissionais do Sexo – APPS

[enviado no dia 5 de junho 2013]

A Associação Pernambucana das Profissionais do Sexo – APPS, fundada em 17 de outubro 2002, vem expressar publicamente seu repúdio e indignação à atitude abusiva e politicamente retrógrada do ministério da saúde, quando este retirou do ar a campanha publicitária com as prostitutas do Brasil que participaram de oficinas de saúde executadas por este mesmo ministério no mês de março do ano corrente.

O mote que resvalou na atitude abusiva e contra a qual nos posicionamos, foi à valorização da prostituição como trabalho, aspecto que se constitui hoje como uma das principais lutas do movimento para reduzir o estigma contra nós, prostitutas, e inclusive fundamental para diminuir nossa vulnerabilidade em relação à infecção pelo HIV e outras DSTs. Mais uma vez, o que era para ser uma conquista de direitos humanos passa a ser uma violação dos direitos humanos: a suspensão do direito de afirmar a prostituição como um trabalho digno e feliz. Somos solidárias a todos/as os/as respeitáveis profissionais do ministério da saúde que acreditaram em nossa luta e entenderam a importância política de nossa valorização, e que foram arbitrariamente demitidos/as, bem como àqueles/as que pediram demissão do Departamento Nacional DST/HIV/AIDS.

Atenciosamente, Coordenação Colegiada da APPS e Nanci Feijó – Vanderliza Rezende- Maria das Graças

Cartaz feito pela APPS, Fórum LGBT de Pernambuco, Instituto PAPAI, Centro das Mulheres do Cabo e dos Núcleos de Pesquisa do Departamento de Psicologia da UFPE (Gema, LabEshu e Gepcol) em protesto `a decisão do governo brasileiro de censurar e alterar a campanha. Leia a nota divulgada junto com o cartaz aqui.

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Nota de Repudio do Núcleo de Estúdos da Prostituição em Porto Alegre, Rio Grande do Sul

[enviado 5 de junho, 2013]

O Núcleo de Estúdos da prostituição, conhecido como NEP, membro da Rede Brasileira de Prostitutas, fundado em 1989, é referencia no trabalho com profissionais do sexo em todo o estado do Rio Grande do Sul. Enquanto movimento organizado de prostitutas sentimos vergonha desta atitude retrógada, preconceituosa, discriminatória e desrespeitosa por parte do Sr ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para com as PROSTITUTAS DA BRASIL. Os valores centrais da Rede Brasileira De Prostitutas são assumir a identidade profissional, buscar o reconhecimento da atividade de prostituta, manter o movimento social de prostitutas organizado, igualdade social, liberdade de expressão, dignidade, solidariedade e respeito as diferenças.
Assim sendo, O NEP apresenta sua NOTA DE REPÚDIO ao ato do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que vetou a peça da campanha voltada às prostitutas, que diz: “Eu sou feliz sendo prostituta”.

Esse veto representa um retrocesso nas ações desenvolvidas com as prostitutas e um desrespeito a produção realizada na oficina de comunicação e saúde para profissionais do sexo, promovida pelo próprio Ministério da Saúde. Acreditamos que os movimentos sociais, que mais se comprometeram no combate à epidemia no Brasil, tem o direito de defenderem o fim do preconceito e de dizer simplesmente QUE SÃO FELIZES, O veto do ministro da saúde a esta campanha é uma VERGONHA.

NOTA DE REPÚDIO – Aprosmig (Associação de Prostitutas de Minas Gerais)

08/06/2013

Eu, Cida Vieira, assim como toda equipe da Aprosmig (Associação de Prostitutas de Minas Gerais), fundada em 2009, venho expressar publicamente meu repúdio quando o ministério da saúde retirou do ar a campanha publicitária com as prostitutas do Brasil que participaram de oficinas de saúde executadas por este mesmo ministério no mês de março de 2013.

A minha intenção ao participar dessa campanha, assim como das outras prostitutas, era visar à valorização da prostituição como trabalho. Sendo assim, não autorizo que o ministério da saúde utilize a minha imagem para outra campanha que não tenha o mesmo objetivo! Isso é uma atitude abusiva e politicamente incorreta.
AMO SER PROSTITUTA E LUTO TODOS OS DIAS PARA QUE MINHA PROFISSÃO SEJA RECONHECIDA E NÃO MAIS ESTIGMATIZADA PELA SOCIEDADE E PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE!

Atenciosamente,

Cida Vieira.
Presidente da Associação de Prostitutas de Minas Gerais

 Gempac- Nota de repúdio à CENSURA da campanha “Sou feliz sendo prostituta”, do Ministério da Saúde

Diante do ocorrido na última quarta-feira, 5 de junho, quando o Ministério da Saúde tirou do ar uma campanha virtual de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis dirigida a prostitutas. O banner que motivou a censura continha a imagem de uma profissional do sexo acompanhada do texto “Sou feliz sendo prostituta”. O conceito da propaganda – que foi construído após diálogo com a classe – incomodou frentes conservadores do Governo, que exigiram o fim da veiculação. O pedido foi acatado e, ainda por cima, resultou na demissão do diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Dirceu Greco.
Em tempos de luta pelo fim dos estigmas e, principalmente, pela valorização e reconhecimento da profissão, a Associação de Prostitutas do Estado do Pará (Gempac) se une ao coro de indignação que ecoa dentro da Rede Brasileira de Prostitutas. Há décadas trabalhadoras do sexo e ativistas lutam de forma organizada pela legalização do ofício e pelo fim do julgamento moral sobre a utilização do corpo, para que enfim a sociedade em geral compreenda que a prostituição é um trabalho – condição que só será plenamente alcançada quando o a legislação e outras ferramentas do Estado garantirem os direitos básicos à esta classe.Deveria ser óbvio afirmar em uma nação democrática que estas profissionais existem,são cidadãs brasileiras e não podem ficar a margem dos seus direitos.
Sendo assim, a censura nos soa como retrocesso. Ao invés de tocar com coerência em assuntos polêmicos, porém relevantes, o Governo prefere se eximir do enfrentamento, numa postura claramente conservadora e omissa. Como parcela historicamente reprimida e marginalizada da sociedade, mas que está a mais de 20 anos organizada e tem realizado importantes ações,nos preocupa e entristece o posicionamento de representantes políticos deste País. A presidente Dilma, o ministro Alexandre Padilha e os demais políticos que representam esta atual gestão do Estado deveriam fortalecer nossa luta, que emana apenas para uma direção: a busca pelos direitos e o fim do preconceito.
E como somos um exército em uma guerra injusta, lutaremos com o que temos. Em contrapartida à este ato de censura, o Gempac lança uma nova campanha. Convidamos profissionais em suas áreas de atuação para reproduzirem a mesma imagem que foi censurada, numa tentativa de mostrar que homens e mulheres são iguais em todas as profissões. E que todos cotidianamente lutam para nela serem felizes. Porque deveria ser diferente com as prostitutas!

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