um beijo para gabriela

Da Boca do Lixo a Gabriela

[Repostando a materia original escrita pelo Flavio Lenz, e publicado no Beijo da Rua: http://www.beijodarua.com.br/materia.asp?edicao=28&coluna=6&reportagem=919&num=1]

Boca do Lixo

Flavio Lenz

30/10/2013

Foi calorosa, potente e pública a homenagem de sábado (26/10) a Gabriela Leite, em São Paulo, cidade onde nasceu e iniciou história de amor e coragem. Atores e atrizes do Pessoal do Faroeste, liderados por Paulo Faria, amigos, admiradores (entre eles Laerte), parentes e outros seres em variados figurinos inclusive de puta demos largada já na Rua do Triunfo, em direção ao Parque da Luz. Era manhã solar em vias de Boca do Lixo.

A Mulher do Megafone, Fabi Faleiros, em êxtase oral vaginal anal, cantava putas paradas, convocava mulheres e homens perdidos e achados a honrar uma, cada uma e todas as prostitutas. Houve paradas estratégicas, como nas placas de proibido afixadas em postes, ponto perfeito para os apropriandos em vaivém de uma e única Bortolanza. Vai

A cruzada pela Estação da Luz foi delícia pura, quase-gozo, fazendo tremer vulvas e escrotos. Quando o parque começou a se abrir como insensata rosa a falar continuava tão bom, mas tão bom, que mantivemos a alta intensidade para o que sinuava. Ao atravessar os portões, proximamos o Buraco da Luz para trotuá-lo, em primeira. O mirante que lá existia foi detonado por incerto prefeito quando mirou sua mulher com homem, como era tradição no local, a partir daí ocupado só por profissionais e seus clientes pagadores.

E então, depois de superar aflições e prisões de liberdade em que vivem seguranças, nos unimos entorno, numa ciranda de amor que não se acaba. Entre frequentadores e prostitutas do parque, assistimos com emoções palavras, textos, leituras, cenas, desejos, cantos e beijos: comemoração de uma vida dedicada a seduzir quem lhe passasse perto ou longe para o direito de escolher, ser livre, respeitada e não ter vergonha de si; por estarmos para sempre afetados pela nova forma de pensar, viver e amar rastilhada pela apaixonante e apaixonada Gabi. Mulher. Da vida. Da vida! Entende?

E da rodinha discreta de suas meninas brotavam doses de energia, em olhares daspu.

Volteamos então pelas ruas de Luxo da Boca, na infinda ronda a te procurar. Grupo inesperado transgredindo tantos uns e outros, convidados a narrar seu papel, como ela que se construiu a nós.

Na chegada ao teatro, falseamos de verdade a marchinha carioca, em oferta a quem viveu a metade justa da vida na cidade que escolheu.

Mulata bossa nova
Caiu no Hully Gully
E só dá ela.
Ê! Ê! Ê! Ê! Ê! Ê! Ê! Ê!
A Gabriela

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