um beijo para gabriela

Monica Jones diz “saiam com força em 11 de abril” (Entrevista com Um Beijo para Gabriela)

[Tradução de entrevista publicada no blog em inglês no dia 17/03

Monica Jones é uma defensora dos direitos humanos no Arizona que foi injustamente presa por uma operação policial de violação de direitos conhecida como Projeto ROSE. Monica sempre lutou pelos direitos de sua comunidade, pressionando por banheiros de gênero neutro no Phoenix College e opondo-se diante do Capitólio de Phoenix ao projeto de lei SB 1062, que permite às empresas discriminar grupos, incluindo as pessoas LGBT, por motivos religiosos. Ontem, Monica foi ao tribunal para seu julgamento apoiada por organizações em Phoenix, nos Estados Unidos e em muitos outros países, e por ativistas nas Nações Unidas. Aqui é a sua primeira entrevista desde que seu julgamento foi inesperadamente adiado. Nesta entrevista exclusiva, feita por Penelope Saunders para “Um Beijo para Gabriela”, Mônica fala sobre sua campanha em curso e sobre o que aprendeu ontem na sala 706 do Tribunal Municipal de Phoenix.

Um beijo para Gabriela: No dia 14 de março de 2014, o processo judicial foi adiado. Você pode nos dizer o que aconteceu?

Monica Jones: O que aconteceu foi que muitas pessoas saíram em apoio à campanha, mas o próprio julgamento foi adiado porque o meu advogado apresentou uma moção de defesa para me dar motivos para uma apelação. Ontem, os promotores disseram que eles precisavam de 14 dias para analisar o documento. O documento é um desafio constitucional à liberdade de expressão em relação à seção no Código da cidade de Phoenix que se refere a “manifestação de uma intenção de cometer ou solicitar um ato de prostituição”. Estou muito, muito feliz que isso foi arquivado porque se eu deveria ser considerada culpada e precisamos apresentar recurso para esse caso, o desafio constitucional é uma validação dos meus direitos como mulher transexual e defensora dos direitos humanos que foi presa sob uma lei que permite à polícia revistar as pessoas de cor, mulheres transexuais e profissionais do sexo. A ACLU de Phoenix está ajudando a minha defesa sobre essas questões. Como uma mulher transexual, a forma como me visto e o fato de que eu estou no espaço público não deve ser motivo para o assédio e a revista.

 Um Beijo: O que vem por aí na sua campanha?

Monica: Quando eu ouvi pela primeira vez ontem que o julgamento foi adiado até 11 de abril, eu estava meio chateada, pensando no dinheiro que gasto em trabalho de preparação e o dinheiro que gasto me preparando para este caso! Então, eu percebi que muitas pessoas tinham saído em apoio e que eles gostariam de apoiar novamente. Então, eu acredito que o dobro de pessoas vai sair para me apoiar no dia 11 de abril. Teremos que fazer mais alguma arrecadação para que eu possa ter a minha equipe comigo, incluindo o meu amigo e documentarista PJ Starr. Precisamos de mais camisetas e muito mais.

Eu acho que os promotores estão um pouco nervosos por causa do número de pessoas que estavam na sala do tribunal ontem para verificar o que estava acontecendo com o caso e observar. Trabalhadores da corte estavam se aproximando da multidão de apoiadores e dizendo que nunca tinham visto nada assim. Todo mundo queria comprar uma camisa, todo o edifício do tribunal era um uma “falatório” sobre o que estava acontecendo no “julgamento Monica Jones”. Então , talvez, os promotores estão tentando atrasar, porque eles estão preocupados com tudo que vem junto nessa batalha por direitos. O promotor está sentindo muita pressão com a ACLU e outros defensores legais envolvidos.

Isso é algo diferente para o sistema jurídico em Phoenix. Em um caso como este, relativo à acusação de “manifestação” ou qualquer outra acusação relacionada com a prostituição, do ponto de vista da promotoria supõe-se ser um caso simples. O que normalmente acontece é que há o réu, um defensor público, o promotor e o juiz, e o réu  entra rapidamente, assina alguns documentos e declara-se culpado porque não há opção real para a justiça. Então, as pessoas são forçadas através do sistema, sem ninguém para ajudá-las. É um pequeno segredo sujo do que está acontecendo com muitas pessoas sob essas leis e meu caso em curso está trazendo à luz essa injustiça.

Então, a coisa mais importante que eu tenho a dizer a toda a gente que quer saber como eu me sinto depois do meu julgamento ser adiado é agradecer e dizer que vamos continuar . Agradeço-lhes muito por tudo o que fizemos até agora. E vamos continuar com a mesma quantidade de energia, eles querem que nosso ativismo morra para que eles possam fazer o que quiserem. Se sairmos com força em 11 de abril, vamos mostrar-lhes que não somos um movimento que depois de um tempo vai morrer. Esta é a minha mensagem para todos que estão lendo isso. Queremos manter esse movimento em torno do caso, compartilhe isso com seus amigos e não desista!

Um beijo: Como se sente pessoalmente com essa campanha em torno do seu caso?  Deve ser muita pressão estar aos olhos do público dessa maneira.

Monica: Eu tenho feito o que eu preciso fazer para me manter forte e estar preparada. Mas é difícil de falar com a mídia como tenho falado, eu sinto que eu preciso de um publicitário para ajudar a me preparar para tudo isso. Antes do próximo 11 de abril, eu vou receber algum apoio adicional a este respeito, mas eu ainda preciso de mais apoio.

Dito isto, algo que tem sido muito importante para me apoiar foi o número de pessoas saindo e me apoiando. Ontem, a sala do tribunal estava cheia de apoiadores e pessoas da ACLU. No início, estávamos quietos e um pouco tensos enquanto esperávamos sem a presença de promotores, juiz e funcionários do tribunal. Depois de um tempo, começamos a relaxar. Estávamos fazendo “selfies” no tribunal. Foi uma grande atmosfera, todos nós começamos a nos comunicar, a união de todos foi muito mais do que apenas o meu caso.

Um beijo: O que significa a trajetória de seu caso significa para o futuro do Projeto ROSE?

Monica: O que é mais importante aqui é que as práticas de policiamento que o Projeto ROSE estabelece estão agora no centro das atenções. Uma atenção internacional está criada. Mas qualquer que seja o futuro do Projeto ROSE, meu ativismo não termina com o fim dele. Acabei de ouvir que a polícia prendeu na noite passada mais de 40 pessoas em Phoenix por prostituição. Eu não tenho todos os detalhes ainda, mas essas prisões em curso mostram que temos muito mais a fazer para acabar com a criminalização e o encarceramento de pessoas, devido ao policiamento de crimes sem vítimas. Eu não vou desistir até que tudo isso acabe.

Monica Jones sits with supporters in court room, March 2014. Photo by PJ Starr.

Monica Jones senta com apoiadores na sala do tribunal, março de 2014. Foto por PJ Starr.

Leia mais:

http://www.thenation.com/blog/178867/problem-anti-trafficking-dragnets

http://www.bestpracticespolicy.org/2014/03/14/breaking-monica-jones-trial-postponed-due-to-constitutional-challenge/

 

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