um beijo para gabriela

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Discussão sobre prostituição ganha espaços importantes no Congresso Nacional e Subsecretaria de Políticas das Mulheres no Rio de Janeiro

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Na sexta-feira, dia 13, passada, houve dois ganhos importantes para os debates sobre a regulamentação da prostituição: o anúncio da criação de uma comissão especial para analisar  projeto de lei Gabriela Leite do Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e  a realização de um debate sobre prostituição e políticas públicas na Subsecretaria de Políticas para as Mulheres no Rio de Janeiro, com a presença do Deputado Jean Wyllys, da ativista e pesquisadora Sonia Corrêa da ABIA/Observatório de Políticas de Sexualidade,  da Subsecretária Adriana Mota, e videos de Gabriela Leite (incluídos como extras no DVD do documentário) nos quais ela comenta sobre a historia do movimento e política e prostituição no Brasil hoje.

Debate SPM

 

O debate enfocou no projeto de lei Gabriela Leite. Jean Wyllys estava bastante positivo frente a mudança de cenário de tramitação do lei pois tirou o projeto das mãos dos pastores na comissão de Direitos Humanos. A decisão foi resultado de um requerimento feito pela CPI do Trafico ao Presidente da Câmara para a criação de uma comissão especial. O Deputado comentou que tanto a CPI do Tráfico como a CPI da Exploração Sexual, ambas das quais ele participa, apoiam a regulamentação da prostituição como uma forma de combater o tráfico e exploração sexual de crianças e adolescentes.

O debate sobre a prostituição no âmbito do feminismo sempre tem sido um tema polêmico (veja nosso post sobre um debate com Gabriela, Jean, Sonia e outr@s na OAB o ano passado) e infelizmente, raramente debatido nos espaços governamentais de políticas das mulheres. Portanto, o fato do debate ter acontecido de uma forma aberta, tranquila e respeitosa dentro da Subsecretaria é um  avanço não somente para a lei Gabriela Leite, mas também para o desenvolvimento de políticas publicas que promovem os direitos sexuais e laborais das prostitutas.

Aproveitamos a oportunidade para lançar mais um video da entrevista feita com a Gabriela Leite incluída no DVD do documentario onde ela comenta sobre a lei nomeada em sua honra:


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E um video do Jean Wyllys explicando a lei:


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Nota de la Red Brasileña de Prostitutas,del 7 de junio de 2013, sobre la censura, la intervención y el cambio de la campaña de prevención del SIDA por el gobierno federal

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Contra el bien de todos y la felicidad general de la Nación, el gobierno viola los principios de la Constitución y del Sistema Público de Salud

El movimiento de las prostitutas y la reforma de la salud,  que llevó a la construcción del Sistema Único de Salud (SUS), tienen puntos en común en sus trayectorias: los procesos de diálogo, de creación y de acción. Si la salud se convirtió en deber del Estado y derecho de todos en la Constitución Federal de 1988- guiado por los principios de universalidad, igualdad (sin prejuicios ni privilegios de ningún tipo),  integralidad, descentralización y participación de la comunidad – el movimiento de las prostitutas nació denunciando la desigualdad, los prejuicios y la discriminación, y reclamando el derecho a trabajar con dignidad, respeto y ciudadanía.

Después de 30 años, al vetar y después alterar drásticamente una campaña para la prevención del SIDA supuestamente construida com la participación de prostitutas, el gobierno utiliza este grupo social para decir lo que quiere, ignorar los logros del movimiento social y violar los principios democráticos y del SUS.

En primer lugar, la participación de la comunidad. El taller destinado a la creación de la campaña, promovida en marzo por el Departamento de ITS, Sida y Hepatitis Virales, dio como resultado materiales que se destacaron como elementos fundamentales en la prevención:  la felicidad (“Soy feliz siendo prostituta”),la ciudadanía (“el sueño mayor es que la sociedad nos vea como ciudadanas), la lucha contra la violencia (“no aceptar a las personas tal como son es violencia”) y el preservativo. ¿Qué hizo el gobierno? Ignoró todos aquellos elementos que comprobadamente contribuyen a la prevención, limitándose a fomentar imperativamente el uso de condones, como si fuese un gesto puramente objetivo y mecánico, disociada de subjetividades,  derechos y vulnerabilidades. Es la higienización de la vida!

En segundo lugar, al seleccionar sólo ciertos mensajes entre los construidos en el taller, recusa el principio de igualdad al negar a las prostitutas el derecho de expresar sus sueños e ideales de ciudadanía, la afirmación de la identidad y visibilidad social, al no reconocerlas como ciudadanas y usuarias del SUS.

Acciones de prevención y promoción de la salud basadas en directrices de ciudadanía, hay que señalar, también son parte de otro principio Salud, violado: el de la integridad.

Además, con este modo de acción, el gobierno se pone en la posición arrogante de sólo permitir a las prostitutas aparecer como víctimas o vectores de la infección por el VIH. U por lo tanto sujetos sin voz, que sólo tienen el derecho a ser rescatadas por el Estado proveedor del único elemento (“obtenga sus condones en la Unidad de Salud “) que las salvará de SIDA.

La actitud del gobierno también revela el esfuerzo de alimentar la estrutura moral de la familia a toda costa, una complicidad cobarde con un discurso que relega a las prostitutas y otros segmentos “inconvenientes” a la marginalidad de un modelo de sociedad.

Al pronunciarse ya inicialmente cont el texto “Soy feliz siendo prostituta”, también demuestra la arrogancia de no creer a una prostituta pueda ser feliz y el miedo de que nosotras expresemos el deseo de felicidad que va contra este modelo.

Y el deseo de los políticos? ¿Qué medidas están detrás de esta actitud? Existe en ella un proyecto de felicidad? ¿Por qué sólo ellos pueden ser felices? ¿Cuál es el precio a pagar por las prostitutas? Nuestros cuerpos, deseos y vidas están pagando el precio de acuerdos políticos y negociaciones de partidos, el costo de la práctica de la censura y el cierre del diálogo.

Estaremos aquí, sí, muy contentas con nuestra profesión. Creemos que no hay que convivir con la violencia y la discriminación, y que debemos ser respetadas por nuestras opciones como ciudadanas. E insistiendo en que el gobierno construya con coraje, políticas basadas en los principios constitucionales para toda la población, independientemente de su orientación sexual, identidad de género o profesión.

Sem Vergonha de Compartilhar a Campanha Censurada pelo Ministro

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As peças que você vê aqui são da campanha ‘Sem vergonha de usar camisinha’, lançada e logo após censurada e tirada do ar pelo Ministério da Saúde do Brasil. A maior parte delas foi elaborada em oficina de comunicação e saúde promovida pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais com prostitutas de diversos estados, em março. A peça com o texto “Eu sou feliz sendo prostituta” e a imagem da prostituta Nilce, de Porto Alegre, foi o mote do governo Dilma para iniciar um escândalo político de consequências imprevisíveis.

Primeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mandou tirar essa peça do ar – ou seja, do site do Departamento de AIDS – e ameaçou demitir a equipe de comunicação do órgão. Depois, demitiu o próprio diretor, Dirceu Greco, e censurou todas as outras peças da campanha.

Aqui, porém, você vê tudo o que o governo Dilma tem medo de mostrar, por causa de alianças com fundamentalistas. E pode celebrar conosco esse histórico Dia Internacional das Prostitutas, lembrando que liberdade e felicidade são, sim, parceiras da prevenção em saúde. E que censura, estigma e discriminação são os piores adversários.

 

 

Sou feliz sendo prostitutaCidadania Campanha DSTAIDSViolenca_Campanha DSTAIDSToda dia prevencao_Campanha DSTAIDS

Beijo campanha DSTAIDSSem vergonha lutar pelos direitosSem Vergonha TrabalhoSem vergonha de ser prostitutaMaria Sem Vergonha Camisinha


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Dia Internacional da Prostituta!

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Hoje, o dia 02 de junho é o Dia Internacional da Prostituta!  O dia comemora o 2 de junho de 1975 quando 150 prostitutas ocuparam a igreja de Saint-Nizier, em Lyon, na França. Elas protestavam contra multas e detenções feitas em nome de uma “guerra contra o rufianismo”.  Ao ter a coragem de romper o silêncio e denunciar o preconceito, a discriminação e as arbitrariedades, as prostitutas de Lyon entraram para a história. Por isso, o 2 de junho foi declarado, pelo movimento organizado, como o Dia Internacional da Prostituta. Leia sobre a história do dia aqui e como o Grupo de Mulheres Prostitutas do Pará (GEMPAC) marcou o dia com intervenções culturais e políticas incríveis no PUTA DEI em Belém de Para.

Para comemorar o dia, estamos lançando aqui uma série de entrevistas com Gabriela Leite feitas em 2013 para os extras do DVD do documentário. Primeiro Gabriela fala sobre a história do movimento de prostitutas, seu começo junto com a Lourdes Barreto do GEMPAC.  No segundo video, Gabriela fala sobre os desafios e temas de importância para o avanço dos direitos das prostitutas hoje no Brasil.  Fechamos  com sugestões da Gabriela sobre como as pessoas podem apoiar o movimento. Desfrute, compartilhe e participe!


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UN BESO PARA GABRIELA EN ARGENTINA!

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Estamos muy contentas que UN BESO PARA GABRIELA fue seleccionada para el Festival Internacional de Cine por La Equidad de Genero en Buenos Aires! El documentario hace parte de la Competición Oficial y sera exhibido sábado, dia 11/05 a las 17h!

Es la primera vez que la película sera mostrada en America Latina fuera de Brasil. Que emoción!

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Besos para Kansas, New York y Arizona!

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A Kiss for Gabriela at the Arizona International Film Festival.

 

A KISS FOR GABRIELA is just back from an amazing three week tour in the United States for the film première and a series of fantastic screenings and discussions with activists, students, academics, and filmmakers that ended with a grand finale with seeing the name of the film on the Tucson, Arizona screening room’s famous marquee.

The trip started at the Kansas City FilmFest in Kansas City, MO, where it was part of the national and international short docs, and the director’s family was able to be present (Laura is also from Kansas!) and sent kisses to Gabriela.

We then continued to New York City, for a week of amazing university screenings at The New School for Social Research, Queens College, CUNY Law School, Princeton University, and finally Columbia University. Screenings featured journalist and Gabriela’s husband, Flavio Lenz from Brazil, director Laura Murray, and panels with researchers on gender and politics and activists from SWOP-NYC. Discussions about challenges faced by sex workers in the United States, activism in the country to advance sex workers rights, the political system in Brazil, the current conservative political climate in Brazil, connections between the women’s rights movement and the sex worker movement, and, of course, how Flavio and Gabriela first met made for a fun, informative and inspiring week. At Columbia, students and professors even took a moment to send birthday wishes to Gabriela, whose birthday was on April 22nd:


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uniondocs screening

The week in New York culimated with the amazing event, “A Kiss for Sex Workers Rights”, hosted by NYC sex worker rights organizations SWOP-NYC and SWANK.  Other films featured included SCARLET ROAD, ADVOCATING IN ALBANY and WHORE LOGIC. The panel after  was moderated by Penelope and featured Flavio, Laura, the Incredible, Edible, Akynos (whose kick ass open letter is posted on this blog!), Audacia Ray from the RedUp team who shared about how to pressure Albany for the rights of sex workers. A full house, engaged audience,  and awesome space combined with stellar films and panelists made for one of the week’s best events!

After the screening, SWOP activists Brittany Wollman Love and Akynos sent a very special kiss to Gabriela:


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A Kiss for Gabriela_AIFF window

The following week, the film had its second US premiere in Tucson, Arizona, at the Arizona International Film Festival – a fantastic festival, with amazing films from all over the world. A KISS FOR GABRIELA was shown alongside another campaign film, MR CAO GOES TO WASHINGTON about the first Vietnamese American to be elected to US congress.

We were honored to have close family and prison abolitionists from The Arizona Prison Watch, who made the nearly three hour drive down to see the film, present! All joined in after to send a kiss for Gabriela under the marquee:


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Thank you to all who attended the sessions for the inspiration! Keep the kisses coming and we’ll do the same!!!

ESTREIAS DE UM BEIJO PARA GABRIELA NOS ESTADOS UNIDOS EM ABRIL!

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Estamos muito felizes de poder divulgar as estreias de UM BEIJO PARA GABRIELA  nos EUA este mes. Confere os dias, horarios e locais dos diversos eventos programados para abril este:

Estreias em festivais! 

Kansas City FilmFest 10, 11, e 13 de abril em Kansas City, Missouri. Clic aqui para horarios e ingressos!

Arizona International Film Festival, 24 de abril em Tuscon, Arizona. Clic aqui para horarios e ingressos!

Premiere em Nova Iorque no evento  “A Kiss for Sex Workers Rights” no Uniondocs em Brooklyn, NYC, 20 de abril as 19:00h.

Eventos em universidades de Nova Iorque durante a semana do 15-20 de abril

segunda-feira, 15/04:  The New School for Social Research, Apoiado pelo Global Studies Program
endereço: Hirshon Suite, 55 W. 13th St.,
2nd Floor
hora: 6:30 PM
filme e discussão com Laura Murray (Directora), Flavio Lenz (Davida), Mariana Assis (New School) and Kate D’Adamo (SWOP/SWANK – NYC)

terça -feira, 16/04 –  Queens College, Apoaido pelo QC Latin American & Latino Studies Program
endereço: Powdermaker 114
horario: 12- 1:30 PM
filme e discussão com Laura e Flavio

terça, 16/04: International Law Society and International Women’s Human Rights – City University of New York
horario: 4-5:30 PM
local: Cuny Law, Rm 3/301
filme e discussão com Laura e Flavio e Penelope Saunders (SWOP/SWANK)

quarta-feira, 04/17: Princeton University, apoiado pelos departamentos de Comparative Literature e Spanish and Portuguese
local: Princeton Art Museum, McCormick 106
horario: 7pm
filme e discussão com Laura e Flavio

quinta-feira, 18/04: Columbia University, Apoiado pelo Institute for Research on Women, Gender, and
Sexuality,  Columbia University’s Sexuality, Gender, Health, e Human Rights University Seminar; o Department of Sociomedical Sciences’ Pre-doctoral Training Program in Gender,
Sexuality, and Health; e o Barnard Center for Research on Women.
endereço: 504 Diana Center, Barnard College.
horario: 6:00 pm- 7:30PM
filme e discussão com Laura, Flavio, Carole Vance, PhD. (Columbia University), Penelope Saunders, PhD. (SWOP/SWANK)

Estreia em Argentina em maio!

Mujeres en Foco Festival Internacional de Cine por la Equidade de Genero, 5-11 de maio, Buenos Aires, Argentina

E-mail enviado à Direção do Departamento Nacional de DST/AIDS e Hepatites Virais

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Algumas poucas considerações sobre Prostituição, Aids e Vida

Hoje (30.10.2012) assisti pela internet a reunião ampliada do Departamento de Aids e Hepatites Virais. Avisei as minhas companheiras da Rede Brasileira de Prostitutas da importância em participar da reunião e colocar algumas das nossas posições. Maria de Lourdes Barreto foi brilhante nas duas colocações que fez e reflete com todas as letras o que pensamos a respeito da atual resposta brasileira.

Fico triste, e a reunião confirmou minha tristeza que desde o congresso de prevenção me acompanha, porque sinto um retrocesso imenso a tal ponto que ninguém mais sequer mede as palavras para falar em “grupo de risco”. Agora nem o politicamente correto (que não gosto) nos salva: a equação puta=grupo de risco é um fato para os técnicos epidemiologistas de plantão.

Mas paro aqui de chorar as mágoas e de ter saudades dos tempos modernos que vivemos nos anos 1990 quando, de fato, construímos uma resposta brasileira. Quero colocar 3 questões sobre prostituição e aids.

1) Pesquisa RDS

Acompanhei a pesquisa desde sua elaboração até a apresentação final. Eu e Roberto Chateubriand funcionamos como uma espécie de consultores do movimento de prostitutas. Sempre falei e repeti para a Célia Landmann e sua equipe que nossa amostra, apesar de contemplar 10 cidades não era assim tão representativa já que somente iria trabalhar com um certo grupo de prostitutas: as prostitutas do baixo meretrício e muitas vezes de zonas confinadas. Ora, a indústria do sexo é de uma grande complexidade. Convive-se com a alta, média e baixa prostituição. Convive-se com boates, saunas, prédios inteiros com apartamentos com várias especializações (sado-masoquismo, fantasias sexuais várias, etc.). Convive-se com sites na internet e inclusive dizem alguns estudos que a indústria do sexo é hoje a terceira fonte de recursos da internet.
A indústria do sexo é grande, complexa e diferenciada. O problema é uma antiga lenda criada pela igreja católica e reafirmada pelas feministas: prostitutas são mulheres pobres que por falta de oportunidades e para poder criar seus filhinhos “caíram” na prostituição. Para referendar essa pretensa verdade todos os que vão trabalhar com a prostituição, procuram as prostitutas do baixo meretrício. Além de ser uma população bastante fácil de ser acessada (ao contrário do que se fala), seu depoimento, respostas e perfil econômico/cultural/social são exatamente aquilo que os pesquisadores querem ouvir. Muito recentemente, alguns pesquisadores jovens antropólogos vem se aventurando no universo de uma prostituição que eu diria mais estruturada. Dois trabalhos muito interessantes foram apresentados no último congresso da ABA (Associação Brasileira de Antropologia).
Os 4,9% de prevalência (Gerson Pereira errou quando disse hoje 5,9%) diz respeito a um subgrupo da prostituição. Não representa a complexidade da prostituição e neste sentido faço a pergunta: que olhar é esse que só vê um certo subgrupo de mulheres prostitutas?

2) Educação pelos pares

A primeira vez que fui a uma reunião no antigo Programa de Aids foi em 1989. Dra. Lair Guerra de Macedo era a diretora do Programa e ali começamos a pensar o desenvolvimento de um projeto a partir da educação pelos pares. Eu já tinha lido a respeito e, a época, simpatizei com a metodologia. Daí surgiu o projeto Previna e começamos em áreas de prostituição de todo país a desenvolver a metodologia da educação pelos pares.

O que me espanta é que até hoje, passados tantos anos, não tivemos nenhuma avaliação sobre a eficácia ou não de tal metodologia. Estudos e estudos foram realizados em outros países. Aqui, em terras brasilis, nada! Pode ser que para algumas populações a metodologia seja eficaz, pode ser que para outras seja ineficaz. Tudo depende da cultura específica, da existência ou não de estigma, de classe social, etc., etc., Todo caso, não sabemos de nada. Me parece que a educação pelos pares é um dogma que jamais poderá ser mexido.

3) Consulta nacional e consulta latino-americana sobre prostituição.

No decorrer desses anos foram realizadas duas amplas consultas, ambas por iniciativa do Departamento de Aids brasileiro ( à época Programa de DST/AIDS). Uma em Lima, Peru e a brasileira em Brasília. As duas foram altamente representativas com a presença de mulheres prostitutas, travestis que trabalham na prostituição e michês. Na brasileira estavam presentes a Rede Brasileira de prostitutas (que pertenço) de orientação trabalhista e da livre expressão sexual e a Federação de Mulheres Prostituídas de orientação abolicionista. Travestis que defendiam o trabalho sexual e travestis que deploravam o trabalho sexual. Como podem ver ampla representatividade de onde saíram recomendações (mais de 50) que privilegiavam direitos humanos, cidadania, trabalho, profissionalização em outras áreas, etc. Todos (convergentes e divergentes) concordaram naquela consulta que as questões ditas transversais eram fundamentais para a prevenção das DST/AIDS.

Relatório das consultas com as recomendações: provavelmente esquecidas em alguma gaveta ou arquivo do Departamento. Com toda certeza totalmente esquecidas. Gastou-se dinheiro e tempo. O caminho da complexidade da prostituição e aids é longo. Nós, ativistas, da Rede Brasileira de Prostitutas e do Movimento Aids trabalhamos e nos esforçamos para hoje, passados tantos anos ser o que sempre fomos para a epidemiologia: grupo de risco. Nada mais!

Diante do exposto, proponho uma grande reunião somente para estruturar um amplo planejamento de avaliação e ação no campo da prostituição. Apesar de estar tratando de um câncer, me sinto forte o suficiente para contribuir nesse processo.

Termino essa nota agradecendo ao Instituto Nacional do Câncer e aos seus profissionais que cuidam de mim e de tantas outras pessoas e que mostra com todas as letras que o ótimo funcionamento do SUS é possível desde que exista vontade política e gestão eficiente. Me sinto orgulhosa e plena cidadã em cada consulta que compareço nesse Centro de Excelência.
Gabriela Leite

Políticas de prevenção para prostitutas desconsideram direitos e cidadania: Movimento social propõe ao Estado retomar diálogo e ações históricas

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Materia publicada no jornal, “Beijo da Rua” , por Flavio Lenz (www.beijodarua.com.br)
31/8/2012

Discriminação, estigma, vitimização, criminalização e outras violações de direitos humanos, como violência, são os maiores causadores das vulnerabilidades de prostitutas e demais profissionais do sexo. No entanto, essas questões deixaram de ser consideradas até mesmo em políticas de prevenção de DST e Aids, as únicas voltadas para a prostituição.

Esta foi a principal conclusão da Conversa Afiada “Prostituição, direitos e enfrentamento de vulnerabilidades no contexto da América Latina”, nesta quinta-feira, durante o macro-evento brasileiro, latino-americano e caribenho sobre HIV/Aids que se realiza no Anhembi, em São Paulo (http://sistemas.aids.gov.br/congressoprevencao/2012/).

Para Gabriela Leite, fundadora da Rede Brasileira de Prostitutas, da ONG Davida e da grife Daspu, a saúde pública voltou a ver a prostituta “apenas como um corpo, e da cintura para baixo”. Ela lembrou que movimento social e o setor de Aids do governo federal começaram a discutir, conceber e executar políticas de prevenção para prostitutas no fim dos anos 1980, e destacou a campanha Sem Vergonha, garota. Você tem profissão, de 2002, que “tratava diretamente de questões de direitos humanos”. Com o tempo, porém, até “a reprodução desses folhetos sumiu do site da Aids”, demonstrando, para Gabriela, que é preciso uma “renovação do diálogo” entre o movimento de prostitutas e o atual Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.

“Chegamos à conclusão de que estamos confinadas na saúde, outra vez associadas a doenças, como no século XIX – tem também a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), mas é só isso. Não estamos na Secretaria de Direitos Humanos, na de Políticas para Mulheres, no Ministério da Cultura, e a justificativa é sempre que já estamos na Aids”, disse Gabriela. “Por isso, as organizações da Rede Brasileira decidiram levar essa discussão para a sociedade e não mais se candidatar a editais nacionais de Aids, enquanto não renovarmos o diálogo. Nunca houve, por exemplo, uma análise da metodologia de educação pelos pares, que vem desde 1989”.

Gabriela encerrou sua intervenção reafirmando que “não dá para trabalhar Aids sem considerar direitos humanos, sem considerar o que o Senado e a Câmara estão discutindo sobre nós, ou sem discutir saúde da mulher. Não queremos consultórios na rua, mas promoção do acesso ao SUS, como qualquer outra pessoa. Chega de ser tratada como um caso à parte”.

A pesquisadora Ilana Mountian, da USP, que desenvolve estudos sobre travestis e transexuais que trabalham na prostituição, no Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG, em Belo Horizonte, destacou a transfobia entre as vulnerabilidades desse segmento. “Vivem questões como a violênca transfóbica e um relacionamento muito complexo com a polícia, e têm que fazer acordos para viver nas comunidades”. Outra vulnerabilidade é o uso do crack “por algumas delas”. Com relação a preservativos, disse que recebem das donas de casa e não vão aos postos de saúde para isso.

Ilana ressaltou ainda a importância de parcerias entre movimento social e academia, afirmando que há “pouca pesquisa sobre a população de travestis e transexuais prostitutas”.

Representante na América Latina da Rede Mundial do Trabalho Sexual (NSWP), a peruana Angela Villón denunciou o “estigma, a discriminação e a desvalorização da prostituição”, apontando o feminismo, o machismo e a religião entre os responsáveis por isso. “Há movimentos feministas que fazem o discurso de que o trabalho sexual é resultado da opressão dos homens e que, portanto, somos vítimas, metendo isso na cabeça de muitas colegas. Ao mesmo tempo, nos invisibilizam nos informes de feminicídio, resultado do machismo que mata e produz a violência de gênero, esquecendo que também somos mulheres. E tem a questão da religião, de que não vamos entrar no reino dos céus”.

Também dirigente da associação Miluska Vida Y Dignidad, sediada em Lima, Angela destacou ainda a confusão promovida entre tráfico de pessoas e prostituição e indicou o que considera a maior vulnerabilidade das prostitutas: “O grande problema é a violência, mas não do cliente, e sim da polícia, ou de delinquentes que se fazem passar por clientes. Com a violência não podemos fazer prevenção de DST e Aids. Temos que enfrentar antes de tudo a violência”.

Estudo aponta confinamento de políticas

Resultados preliminares da “Análise do contexto da prostituição em relação a direitos humanos, trabalho, cultura e saúde em cidades brasileiras”, apoiada pela Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e realizada por Abia em parceria com Davida, foram apresentados pela pesquisadora Laura Murray. A primeira fase do estudo foi de levantamento de políticas nacionais e internacionais sobre direitos humanos, HIV/Aids e prostituição, ao lado de um histórico sobre como o Estado tratou esses temas. Isso tudo foi feito por meio da pesquisa de documentos, políticas e projetos de leis, da análise de PAMS e de entrevistas com 47 gestores e técnicos do Executivo federal, representantes de agências internacionais, consultores legislativos, senadores e deputados.

Em relação à saúde, Laura relacionou cinco achados. “Quando se trata da prostituição, saúde é igual a HIV/AIDS, não havendo políticas nacionais de saúde das prostitutas que não sejam dirigidas à prevenção do HIV. Mesmo nesse campo, a análise dos PAMS estaduais e municipais apontou poucas ações para essa população – em menos da metade dos municípios habilitados para receber dinheiro dos PAMS; e, durante a vigência do Plano de Enfrentamento da Feminização da Aids, de 2007 a 2009, um volume de ações nos PAMS estaduais e municipais de apenas 4,1%.”.

O terceiro achado é o de que, embora estudos mais recentes indiquem redução da prevalência do HIV entre prostitutas, a diferença entre a prevalência em prostitutas e mulheres da população geral não se alterou significativamente, mantendo-se 10 vezes maior nas primeiras. Outro achado da primeira fase do estudo aponta que as políticas de HIV/Aids para prostitutas se dão de forma isolada em relação aos outros departamentos do Ministério da Saúde, assim como a outros setores do governo, embora a interssetoralidade seja uma demanda das prostitutas já reconhecida em consultas latino-americana e brasileira e na Agenda Afirmativa das Prostitutas no Plano de Enfrentamento da Feminização.

Ainda na saúde, a integrante da equipe da pesquisa disse que houve um efeito paradoxal no período em que o setor federal de Aids assumiu um posição clara de defesa dos direitos das prostitutas. “Por um lado, foi sem dúvida positivo; mas, por outro, teve o efeito colateral perverso de fazer com que os demais setores do Executivo não tratassem diretamente do tema, pois cristalizou-se a ideia de que prostituição é um assunto da Aids”. Laura Murray não deixou de citar a inclusão da categoria “profissionais do sexo” na CBO, do Ministério do Trabalho, mas destacou que não se identifica, atualmente, nenhuma ação ou intenção de ação relacionada à promoção da profissão nessa pasta.

Já os achados sobre direitos são, até aqui, os seguintes: predomina silêncio em relação a ações de promoção de cidadania e direitos das prostitutas em quase todos os setores de governo, prevalecendo a disseminação e absorção mais rápida de parâmetros de criminalização e vitimização, evidenciados na atuação concentrada nos campos do enfrentamento ao tráfico de pessoas e da exploração sexual de crianças e adolescentes. E isso ocorre “ao mesmo tempo em que normas e diretrizes internacionais construídas na intersecção entre saúde e direitos humanos preconizam claramente a descriminalização do HIV e da prostituição”.

Nesse contexto, finalizou a representante da equipe do estudo, “as políticas relacionadas aos direitos das prostitutas estão soterradas por essas outras linhas de ação do Estado, muitas vezes parecendo produzir, em vez de reduzir, vulnerabilidades à violência e ao HIV/Aids”.

Debate

Aberto pela moderadora Elisiane Pasini, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, o debate afiou ainda mais a Conversa. Gestoras de Aids em municípios dos estados do Rio e Espírito Santo defenderam os “consultórios na rua” para prostitutas, estratégia que vem sendo alvo de acalorado debate dentro do próprio governo. Segundo elas, o sistema incentiva as mulheres a frequentarem os centros de testagem e aconselhamento (CTAs). Já a consultora Lilia Rossi quis saber se havia alguma recomendação do estudo apresentado a partir da constatação de que a atuação do setor federal de Aids inibiu outros segmentos do governo em relação à prostituição.

Gabriela Leite voltou a questionar a vitimização e a associação de prostituição com doenças, especialmente as que têm origem “da cintura para baixo”, diante das intervenções das gestoras. “Não é o sistema de saúde em geral que vocês querem que as prostituas frequentem; são os CTAs. Por que não põem esses consultórios na rua para as mulheres donas de casa? Será que elas vão aos CTAs? Acabamos de apontar uma série de vulnerabilidades da prostituição, como viver em ambientes de trabalho sem respeito aos direitos humanos, sem vasos sanitários. Isso é vulnerabilidade. Não é ser puta. Falamos, falamos e parece que ninguém ouve”.

Ela ressaltou ainda que a pesquisa busca demonstrar “o que o Estado brasileiro está pensando sobre nós”. Deu como exemplo a Secretaria de Direitos das Mulheres, “que não quer saber de prostituição com o argumento de que não há unanimidade no discurso do movimento e por conta das criancinhas que sofrem exploração sexual”. O que se pretende, disse Gabriela, “é fazer um discurso político, para o qual a academia é fundamental, ao desvendar uma série de questões”. E concluiu: “O Estado brasileiro tem que ser criticado, sim, pelo movimento social. Muitas vezes ele se pensa o próprio movimento social. O diálogo está suspenso, mas não parado. Se esta mesa valer para isso, terá sido ótimo. Vamos continuar o diálogo”.

Um incentivo a esse diálogo, de acordo com Laura Murray, pode já ter acontecido por meio das entrevistas promovidas pelo estudo em Brasília. “Notamos um certo silêncio, mas não falta de interesse. Uma discussão interessetorial pode ter sido provocada”. Ela adiantou que uma das recomendações do estudo será a de tratar do tema indústria do sexo, “que está silenciado”. E emendou: “A resposta brasileira à Aids sempre considerou cidadania e direitos como fundamentais. Agora é preciso provocar o debate de novo. E não é tão difícil. Além de dizer que o preservativo é fundamental, também é preciso dizer que a descriminalização é fundamental, ver isso como um discurso de prevenção. Serviço de saúde não é apenas a saúde do corpo”.

O apagamento da questão dos direitos em políticas ligadas à prostituição “é ainda mais estrutural e não pode ser desvinculado do soterramento dos direitos humanos na Aids, em geral”, alertou Sonia Correia, da Abia. Ela lembrou que o governo apresentou recentemente a sua revisão periódica universal para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e não incluiu o HIV. “Portanto, para o governo, HIV não é uma questão de direitos humanos”.

Socióloga do Programa de Aids do Estado de São Paulo, Nina Laurindo elogiou a Conversa Afiada, por “reviver debates que havia na década de 1990 e que pareciam ter acabado”. E resumiu assim esse período: “Houve um retrocesso, os companheiros da Aids estão todos muito pautados em camisinha e teste, e não em direitos, violência, cidadania. Todos os projetos se denominam de ‘prevenção de DST/Aids e direitos das prostitutas’, mas não há essa discussão de fato”.

A moderadora Elisiane Pasini, do Departamento de Aids, encerrou a Conversa Afiada: “Precisamos avançar, ouvindo todas as vozes. Essa mesa foi feita com a intenção de que a gente possa trazer essa discussão novamente e acreditar nesses direitos humanos que estamos construindo”.

Estréia Festival Femina

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